Moscas, Camelos e Pecados

“Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo.” – Mateus 23:24 gnats-and-camels No capítulo 23 do evangelho de Mateus encontramos uma longa e dura advertência de Jesus aos fariseus de sua época. Os fariseus eram homens que observavam minuciosamente os aspectos externos das leis cerimoniais de Moisés e se consideravam superiores aos demais judeus por causa disso. Eles tinham por hábito coar a bebida que iriam tomar, para não correrem o risco de ingerir nenhum mosquito, que era o menor dos animais impuros segundo a lei de Moisés (Levitico 11:23). Jesus ao longo de sua advertência foi duro e enfático ao criticar o zelo externo dos fariseus. Eles possuíam aparência de santidade e tentavam a qualquer custo demonstrar que eram homens altamente espirituais, mas a intenção do coração deles dizia o contrário. O camelo, em paradoxo a mosca, era o maior dos animais impuros (Levitico 11:4). Logo, o que Jesus estava querendo nos dizer era mais ou menos isso: “Vocês observam as coisas mínimas para se exibir, mas pecam em coisas imensas.” Será que muitos dos que se dizem cristão não estão incorrendo no mesmo erro dos fariseus? Será que não está existindo uma inversão de valores e o desenvolvimento de um sistema religioso falho e nominal? Gostaria de propor dois pontos para reflexão: 1) Não existem pecados aceitáveis: é discutível no ambiente teológico a existência de pecados “piores” do que outros. Porém, não conheço nenhum autor nem pastor que defenda que existam pecados aceitáveis. Jesus não disse em momento nenhum que eles deveriam engolir as “moscas” que representariam os pecados pequenos, mas sim rejeitar tanto as moscas (os “pequenos” pecados) quanto os camelos (os pecados maiores e mais escandalosos). O motivo de não haverem pecados aceitáveis é simples, Deus é infinitamente Santo. Sua santidade é tamanha que qualquer minúsculo pecado é infinitamente ofensivo a Sua infinita santidade. O pecado é um problema visível na igreja contemporânea. Temos que possuir uma percepção clara que o que nos difere dos não salvos é a santidade produzida pelo Espírito Santo. Se não estamos evoluindo no progresso de ser santificados pelo Espírito devemos nos humilhar diante Dele e suplicar para que Ele realize uma mudança em nossas vidas. Não devemos ter tolerância nem paciência com nenhum pecado, é necessário mortificar cada um deles e dar espaço para que os frutos do Espírito sejam evidenciados em nosso viver, não os frutos da carne. 2) Não existe cristianismo nominal: Nunca o Brasil foi tão “evangélico” e tão pouco cristão como nos dias de hoje. Estatísticas otimistas dizem que o número de pessoas que se professam cristãos protestantes alcança mais de 40 milhões. Eu realmente temo que essas estatísticas sejam falhas. Muitos criaram uma identificação com determinada denominação religiosa protestante e frequentam os seus cultos de domingo, mas não existe compromisso com o Cristo que é cultuado. Não há verdadeira conversão, mudança de vida, transformação externa, bom testemunho e, principalmente, mudança interna. Os fariseus eram muito semelhantes. Metódicos na observância dos comparecimentos religiosos, não perdiam uma reunião de sábado nas sinagogas, mas o coração deles era podre pois não eram verdadeiramente transformados, não houve purificação do pecado, não houve arrependimento sincero. O cristianismo sem dúvida produz mudança externa, mas a mudança interna é essencial, e essa gerará frutos. O Brasil carece desses frutos hoje, por isso padecemos em violência, corrupção e degradação moral dos valores e da sociedade. Quem escreve não é um homem perfeito que lutou a carreira e venceu o bom combate. O pobre escritor reconhece suas misérias e sem dúvida, é o pior dos pecadores. Mas não balizo o cristianismo por mim, mas pela Santidade de Deus expressa em Sua palavra. Rogo que Deus produza uma transformação, em mim e em todos os falhos como eu, para que juntos possamos ser luz a esse mundo que carece em trevas e para esse país que necessita da ação de cristãos verdadeiramente transformados e dedicados a causa do evangelho. Que Ele nos transforme. Graça e paz.

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