Pokémon Go e o cristão

A ultima moda do meio evangélico é criticar (ou defender) o novo joga da Nintendo, Pokemon Go. Tirando as milhares teorias da conspiração de que o jogo é para espionar a casa do usuário, é do demônio porque o nome é “monstro de bolso” (essa eu escuto desde criança) e diversas outras, existe uma crítica pertinente: a do domínio sobre as pessoas.

É alegado que o Pokemon Go tem se tornado um vício para jovens e adolescentes,  que estão alienados e que estão até mesmo se afastando de Deus por conta do jogo. Adaptaram até uma frase do Paul Washer que pergunta, originalmente: “Você le a Bíblia com a mesma intensidade que torce para seu time no domingo?”para “Você busca a Deus com a mesma intensidade que busca pokémon?”

Existem um ponto que acho válido avaliar:

O jogo está exercendo domínio sobre você ou você sobre o jogo? Thomas à Kempis, simulando uma conversa entre Deus e um cristão diz o seguinte: “Meu filho, você deve se esforçar para o seguinte, que em todo lugar, e em toda ação ou ocupação externa, você possa estar interiormente livre, em pleno domínio de si. Que todas as coisas estejam sob você, e não você sob elas; que você seja senhor e mestre de suas próprias ações, não escravo ou empregado”. Creio que enquanto estamos nos divertindo com o jogo, mas com o controle sob ele, não existe problema algum. O problema começa quando o jogo começa a nos controlar e perdemos o controle de quando devemos ou não jogar.

Isso porque nosso amor por Cristo deve ultrapassar ao amor à qualquer coisa ou pessoa. Sabe aquele versículo de Lucas 14:26: “ Se alguém vem a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos,e irmãos, e irmãs, e ainda sua própria vida, não pode ser meu discípulo.”? Jesus não está nos ensinando que devemos odiar todas essas pessoas, com um sentimento de raiva, até porque isso seria conflitante com seus ensinos. A ideia aqui é a de que devemos amar a Jesus acima de todas essas coisas, quanto mais do que um jogo ou outra atividade. E quando colocarmos Cristo acima de tudo, aí sim poderemos amar, cuidar e nos divertir em todas as outras áreas da maneira correta, exercendo domínio sob elas.

Por isso o principio não se aplica só ao Pokemon. A pessoa pode não gostar do jogo, porque acha que aliena, mas ser escravo de sua família, de seu emprego, de suas finanças, de uma novela, do netflix e até mesmo do facebook. Para quem está nessa situação, é interessante analisar e refletir sobre o que está te escravizando e tirar a trave do seu olho para que assim possa ver o cisco no do irmão (Mt 7:5). Tudo que colocarmos acima de Cristo, vira um ídolo e nos escraviza e devemos nos livrar delas, ou, ao menos, coloca-las no devido lugar. “A única maneira de encontrar liberdade genuína é dizer não as coisas que nos escravizam e destroem” (Ralph Smith)

Por fim, caso você ache pecado jogar, ou tem duvidas, não jogue! (Rm 14:23), se você não vê problema, jogue! (Rm 14:22). “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda.” (Rm 14:14). Obviamente Paulo estava falando sobre alimentos nesse contexto, mas o principio é valido para outras coisas. Se alguém se escandaliza, tome cuidado para não fazer a pessoa pecar, mas tente instruir no quanto somos livres em Cristo.

O que entristece é ver tanto cristão, e muitos maduros e notáveis, colocando tanta ênfase em um jogo que em questão de meses provavelmente sumirá do gosto popular, assim como toda moda passageira. Existem muitas coisas mais importantes para serem debatidas e refletidas em nossas igrejas do que um jogo.

Para uma análise da parte mais filosófica do jogo partindo de uma ideia cristã sugiro este artigo: http://tuporem.org.br/pokemon-go-em-um-mundo-fraturado-e-monotono/

Bom, finalizo por aqui. Afinal, meus pokemons não irão se caçar sozinhos.

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