O moralista

Como é difícil olharmos para nós mesmos, não é? Por que será que vemos o mal tão rapidamente nas pessoas, mas demoramos muito para percebê-lo em nossas vidas? Acompanhe uma passagem rápida por um trecho da Palavra de Deus que faz menção a isso, e, que seja um momento para nos vermos pelo espelho da verdade.

“Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas. Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus? Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que conduz ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus” (Romanos 2:1-5)

Neste pequeno trecho, Paulo esta se referindo a uma pessoa que gosta de julgar, acusar o erro nas pessoas, mas que comete de igual modo. Gostaria de esclarecer o porquê dessas palavras. Nos últimos versículos do primeiro capítulo, Paulo se refere a como as pessoas estão trocando a verdade pela injustiça (vs. 18), como desprezaram o conhecimento de Deus (vs. 28), e, por isso, Deus os entrega a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes (vs. 28). Isso resulta em uma lista com cerca de 20 pecados. Citando alguns: malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo, soberbos, presunçosos, desobedientes aos pais, insensatos (vs.29-31). E ainda ele acrescenta que conhecendo que estão errados, não somente fazem, mas também aprovam os que assim procedem (vs. 32). Assim ele acaba o primeiro capítulo e começa a falar a outra classe de pessoas, no segundo capítulo, como podemos ver acima.

Talvez seja a essa classe de pessoas que Jesus se referia nos evangelhos como hipócritas. Deixa me exemplificar: Paulo diz o quão as pessoas estão pervertendo a verdade, o quão estão deixando o conhecimento de Deus, o quanto estão em pecados e cometendo injustiças. Depois disso, Paulo parece estar falando com um grupo que ele já imaginava que teria que enfrentar. Esse grupo está falando: isso mesmo Paulo, eles estão errados, eu sempre soube isso. Veja agora que finalmente minha justiça chegou! Mas isso não foi bom pra eles. Paulo diz nos primeiros versículos: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas”.

Voltamos à pergunta do começo, por que é tão difícil ver o mal em nós, em nossas obras, e tão fácil nas pessoas? Quando julgamos, só queremos dizer que quão indesculpáveis são estas pessoas diante de Deus. Ou o quão errado elas são. Isso até pode ser verdade, mas não exclui o fato de você querer estar se colocando em uma posição privilegiada diante de Deus, assim como eram os judeus. Eles falavam que não eram passíveis de arrependimento, porque eram filhos de Abraão, e geração escolhida do Senhor. Mas, no final, eles só queriam se colocar em uma posição privilegiada, enganando a si mesmos.

Voltando ao texto, podemos dizer que aquele grupo a quem Paulo já imaginava que viria contestar com ele, tomavam as mesmas atitudes daqueles a quem julgavam. Mas com uma diferença: estava escondido aos seus próprios olhos, e, porque não dizer que queriam esconder a todos os esforços dos olhos dos outros. Isso é muito perigoso. Conseguimos ver isso quando estamos prontos a respeitar os amigos, mas a família é sempre atacada (desobediência aos pais), quando não fazemos sexo, mas a pornografia é bem vinda a nossa vida (cobiça, lascívia). Fazemos sem perceber, enquanto a outra classe, no primeiro capítulo, conhece que estão errados e mesmo assim fazem. Mas os mesmos pecados são cometidos.

Paulo diz assim na continuação dessa passagem: “Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas. Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus?” Nenhum de nós se livrará do justo juízo de Deus, só porque achamos que somos privilegiados. Deus julgará conforme seu procedimento (Rom 2:6) e não haverá exceções.

Não tem problema algum em confrontar atitudes, discursos, pregações, e comprovar sua veracidade comparando com á verdade. Isso é necessário. O problema está em não se ver como um pecador, como alguém que comete os mesmos erros. Não acumule ira para o dia da ira de Deus, volte-se a Ele, arrependa-se de suas más obras, lembre-se do quanto Deus tem sido bom na sua vida, o quanto Ele tem perdoado os seus pecados, e o quanto Ele permitiu outro sofrer em seu lugar toda a punição que você merecia.

Tenho visto como sou uma pessoa assim, e, sinto na pele, o quanto é difícil isso. Mas quero te encorajar, querido leitor, que Deus é rico em perdoar. Tem horas que sou uma máquina em falar mal, em criticar, dentro do meu coração. Mas Ele é bom. E seu amor perdoador tem impactado minha vida. O arrependimento deve ser nosso estilo de vida, exaltando a habilidade de Deus em perdoar pecados que Ele odeia, e de amar pecadores, como nós. Fiquem na paz do Senhor.

“Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” (Is 55:7)

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