Democracia e Cristianismo

Antes de tudo temos que fazer uma distinção entre democracia enquanto estrutura e democracia enquanto credo.

A primeira, sem mais delongas, se refere a um sistema em que os cidadãos tem uma participação efetiva nas decisões tomadas pelo Estado. Sendo possível assim como o voto de cada individuo a sua candidatura também. Nisso reside um bem, visto que cremos na queda no pecado, o Estado não pode ser soberano sobre todas as coisas e por vezes um governo pode ser tirano, oligárquico ou totalitário, com a participação da população, fiscalizando e cobrando às autoridades constituídas, isso poderia ser freado.

A segunda pode ser caracterizada como um credo, uma ideologia. Essa ideologia tem como base central a de que um ato pode ser legitimo pelo simples fato de a maioria ou o povo decidir tal coisa. Entretanto já de cara levantar-se-ia algumas questões: Quem é a maioria? Quem é o povo? Qual povo se fala?… E é sobre a segunda que nos debruçaremos hoje.

O fato de na Grécia Antiga a democracia ser vista com maus olhos já deveria nos fazer ter uma pulga atrás da orelha. Com a suposição de que a “maioria” se valeira de sua posição para beneficiar-se em detrimento da “minoria”.

Um caráter mais individual seria o princípio do “contrato social”, obrigações heterônomas, que não foram formuladas e aceitas por mim mesmo, são mau vistas por uma ideologia democrática. Nesse sentido eu me vejo “obrigado” a obedecer apenas aquilo que for aceito por mim mesmo. Não é de se admirar que essa ideologia se infiltre nas famílias, como uma visão – ou será ilusão? – de direitos iguais e deveres iguais. E com seus tentáculos a ideologia democrática acaba se inserindo em todas as áreas da existência humana, transformando-se assim em uma religião. Sendo ela mesma incapaz de estabelecer um limite normativo para o Estado democrático.

Temos consciência que a “Vox populi vox Dei” é por demasia questionável. Sabemos que o “povo” a ter que decidir entre Jesus e Barrabás escolheu o segundo e não o primeiro (Mateus 27 : 21,23). Evidente que fazia parte do processo histórico redentivo, porém a escolha deles foi por base em suas vontades, nisso condiz a liberdade.

Todavia, atualmente o sistema democrático é o melhor que já experimentamos. Não o credo e sim a estrutura. Entretanto, a forma cristã de ver e viver na realidade de Deus é baseada Nele e portanto um sistema que afirma que nós só devemos nos submeter a leis – ou contratos – que nós mesmos criamos não condiz com a fé cristã que afirma ser dEle, por Ele e para Ele todas as coisas – incluindo o Estado (Romanos 11 : 36).

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